1º de janeiro: artesãos da paz

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Publicamos um trecho de um artigo de Chiara Francesca Lacchini, monja Clarissa Capuchinha do Mosteiro de Primiero e presidente da Federação das Clarissas Capuchinhas da Itália. O texto integral encontra-se na edição de Sequela Christi 2023: «Artesãos da paz».

 

Bem-aventurados os que trabalham pela paz: Deus os acolherá como seus filhos

Como não recordar o célebre diálogo sobre a verdadeira alegria, ao qual Francisco, no ápice de uma narrativa intensa e sugestiva, resume de forma magistral as experiências árduas do último trecho de seu caminho na fraternidade e partilha com frei Leão o ponto culminante de sua vivência: onde está a verdadeira paz? Diante de uma porta que permanece voluntariamente fechada à acolhida e à escuta, mas que não pode impedir que um coração permaneça aberto — sempre e em todo tempo — para reconhecer e sentir os outros como irmãos e irmãs.

Essa é a compreensão de paz que Francisco dirige a todos como saudação, muito próxima do significado hebraico de shalom. O verdadeiro bem que se pode desejar a uma pessoa não é a ausência de conflitos, mas a plenitude, e o desejo de viver dessa plenitude e integralidade que constituem o sentido de seu caminho e de sua vocação original. Aqui, cada um tem a possibilidade de tornar-se artesão da paz, juntamente com todos aqueles que buscam construir um mundo de paz a partir dos pequenos gestos do cotidiano — como uma saudação oferecida ou recebida — ou de uma atitude fraterna diante de um rosto ou gesto hostil. […] Construir a paz é trabalhar ativamente com a força do Espírito, e esse trabalho exige coragem para fazer escolhas contracorrente, escolhas justas, sabendo que isso requer constância e perseverança no bem, assim como uma luta aberta contra o espírito maligno, suscitador de invejas e discórdias.